O Paskim

09 abril 2005

27ª Jornada

Benfica 4-3 Marítimo


Electrizante. Este foi mais um jogo onde ficou demonstrado que a liga portuguesa consegue proporcionar desafios tão bons ou melhores do que aqueles que nos são dados observar pelas restantes ligas europeias. Congratulo as duas equipas pela atitude positiva revelada durante todo o jogo que fez vibrar um Estádio da Luz repleto de entusiasmo, de emoção e de público (60 mil pessoas).


A 1ª parte foi soberba. O SLB iniciou a contenda fazendo uma pressão enorme sobre os jogadores insulares na tentativa de resolver rapidamente um desafio que lhe permitiria manter a distância de 6 pontos face aos seus dois grandes rivais (Sporting e Porto haviam ganho os seus jogos...). O resultado dessa pressão foi o 1º golo desse ponta de lança rotulado de "miserável" pelas línguas que pouco percebem de futebol chamado Nuno Golos. Quando tudo parecia encaminhado para uma noite de glória, eis que o Marítimo tem uma óptima reacção e empata o desafio depois de um cabeceamento do mítico Pena, que aproveitou o facto de estar sozinho entre os centrais e de Quim parecer um pouco desconcentrado. O encontro entrava agora num ritmo frenético, com jogadas perigosas para as duas balizas e com duas equipas destemidas e incansáveis em busca do segundo tento. Foi mais feliz o Benfica que, fruto de um período de maior sufoco junto à baliza de Marcos, conseguiu facurar dois golos (o primeiro de Miguel e o segundo num sublime remate à meia volta do "medíocre" Nuno Golos). Mas o Marítimo não desistiu e revelou uma capacidade de reacção que me apraz registar. Aliás, os insulares chegaram mesmo a alcançar o empate com um golo do excelente defesa-central Gaag no fim da 1ª parte e outro de Pena no início da 2ª.
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Ora bem, faço aqui uma ligeira pausa para fazer uma pequena crítica à forma como o SLB conduziu o jogo após usufruir de uma vantagem de dois golos: a equipa continuou a jogar da mesma forma como o tinha feito antes dessa vantagem, isto é, numa busca incessante e obcessiva pelo golo, não se importando mninimamente pelo facto de a outra equipa revelar uma tendência natural para subir no terreno para fazer face à desvantagem no marcador. Quanto a mim, a equipa deveria ter controlado melhor o jogo, serenar um pouco os ânimos e ter uma atitude mais fria e calculista neste período de jogo. Bem sei que a maior parte dos jogadores nunca experimentaram a sensação de serem campeões nem sequer de estarem perto de o ser, o que provoca uma ansiedade enorme, mas há que tentar moderar essa situação e actuar um pouco mais com o coração do que com a cabeça. Foi ridículo ver, nessa altura do jogo, Ricardo Rocha a subir desalmadamente no terreno na posse da bola por forma a chegar à baliza contrária o mais rápidamente possível (parecia que estava a perder por 1-0 a 2 minutos dos 90) , correndo o enorme risco de criar desiquilíbrios na defesa.


Depois de ter chegado ao empate com muito mérito, o Marítimo criou uma ou duas oportunidades claras de golo nos 5 minutos subsequentes. A partir daí, assistiu-se a um assalto constante do SLB à baliza defendida por Marcos e a um desgaste físico gradual da equipa do Marítimo, resultando daí um golo (mal) anulado a Nuno Golos, uma bola ao poste de Luisão e, finalmente, o golo de Pedro Mantorras a 5 minutos do fim. Realço o facto de a ultra-defensiva equipa benfiquista ter acabado o jogo com três (!!!!) pontas de lança e também dou conta da excelente condição física e psicológica desta equipa.


O árbitro esteve bem, embora mal auxiliado no lance do golo anulado a Nuno Golos.


Destaques positivos:

SLB: Nuno Gomes;
Marítimo: Pena e Silas.


Continuamos no bom caminho!



P.S.: Foi muito importante este triunfo do SLB, não só pelos três pontos conquistados, mas, acima de tudo, pelo reforço psicológico que constitui uma vitória alcançada desta forma. De facto, durante a partida, o SLB esteve no céu (3-1), passou ao inferno (3-3) e conseguiu ter força psicológica e física suficientes para ir em busca do 4º golo e alcançar de novo o céu perante uma equipa que é forte. É reconfortante ver a forma como uma equipa sem personalidade, envergonhada e sem auto-estima que vimos enterrar-se em Bruxelas, se revela agora como uma formação coesa, determinada, autoritária, convicta e, sobretudo, unida e com espírito de vitória. Acredito que o mérito é de todos, mas tenho aqui que elogiar Trap pelo facto de ter conseguido suster o ímpeto ostensivo e negativo para com a sua pessoa de inúmeros adeptos impacientes e injustos que não saboreiam um título há 10 anos e que se serviram apenas do treinador para justificar os inêxitos da equipa. Pois bem, Trap respondeu com trabalho e resultados... Esperemos que a resposta não se fique por aqui...

P.S.2: Esta semana jogaram-se os quartos de final da UEFA... e não podia deixar de referenciar a vitória esmagadora dos russos "coxos" do CSKA ante o Auxerre por 4-0, garantindo praticamene a passagem às meias-finais da prova. Como já havia referido após a eliminação do SLB, considero esta equipa russa uma séria candidata a pisar Alvalade para jogar a final.